O PRESENTE TRANSFORMADOR: PARFOR-Equidade da UFPA forma pontes entre a Educação e a Realidade Amazônica
Em um cenário educacional em constante evolução, a Universidade Federal do Pará (UFPA) reafirma seu compromisso com a inclusão e a excelência ao ofertar, através do PARFOR-Equidade, as novas licenciaturas em Educação do Campo e Educação Especial Inclusiva.
Acompanhamento e Expansão: Em um movimento de reforço ao compromisso com a qualidade do ensino descentralizado, a Coordenação Institucional do PARFOR-UFPA realizou, no mês de agosto, uma visita técnica abrangente aos polos que ofertam esses novos cursos. A ação incluiu os municípios de Cametá, São Sebastião da Boa Vista, Castanhal, Marapanim e Capitão Poço, garantindo o monitoramento de perto da formação dos futuros educadores especializados.
Ao final do segundo semestre letivo, o sentimento geral dos alunos entrevistados é de que o curso é um “grande presente” e um catalisador de transformações imediatas na sala de aula e na vida pessoal.

Formação Além da Sala de Aula
O perfil dos alunos é diversificado e carrega o peso de uma realidade que urge por qualificação. Muitos já são professores graduados em áreas como Pedagogia e Letras, buscando preencher lacunas em suas formações anteriores, consideradas deficitárias, especialmente em temas de Inclusão e Educação Especial.
Por outro lado, o programa alcança a chamada “Demanda Social”, composta por cabeleireiras, agricultores, biscateiros e moradores de ilhas, quilombos e comunidades ribeirinhas, para quem a licenciatura na UFPA representa, frequentemente, a primeira oportunidade de acesso ao Ensino Superior. Para muitos, a motivação é profunda: a experiência pessoal com o público-alvo, como ser mãe de filho atípico (autismo) ou ter uma deficiência (surdez, cegueira) é o que impulsiona a busca por um conhecimento que transforme suas realidades e as de suas comunidades.
Apesar de, em muitos casos, a escolha ter sido motivada pelo nome do curso ou pelo prestígio da UFPA, a avaliação de conteúdo é esmagadoramente positiva. O curso é classificado como “excepcional” e “muito rico”, conseguindo associar de forma pioneira a teoria e a prática necessárias para atuar nas áreas.

Disciplinas-Chave e o Desafio da Prática Colaborativa
As disciplinas que mais se destacaram por sua relevância prática e metodológica foram:
- Ludicidade: Considerada essencial para a compreensão do papel do brincar no desenvolvimento do aluno.
- Ensino Colaborativo: Fundamental para desmistificar a atuação isolada e mostrar que o trabalho em Educação Especial exige a união de todos os agentes.
- Legislação: Matéria que se tornou ferramenta de empoderamento, especialmente para pais atípicos e professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE), com o estudo de leis como a LBI.
- Didática e Formação de Professor (Ed. do Campo): Disciplina que transformou a visão dos alunos sobre currículo e prática pedagógica voltada para o contexto rural.
No entanto, nem tudo são flores. O corpo discente sinaliza a oportunidade de um maior alinhamento no quadro docente, solicitando que a coordenação considere a expertise em Educação Campo/Inclusiva ao selecionar os professores. Há uma percepção de que algumas metodologias são mais tradicionais (como a predominância da leitura de slides), o que nem sempre dialoga com a experiência e o nível de atuação dos profissionais que já estão em campo. A maior dificuldade relatada, contudo, concentra-se nas disciplinas de cálculo/matemática (Ênfase Matemática). Devido a uma formação de base anterior deficitária, este conteúdo exige maior suporte e atenção, sendo um ponto que, se não for adequadamente endereçado, pode representar um desafio significativo ou risco de evasão.

O Esforço da Superação e o Papel Vital da Bolsa
A modalidade intensiva, concentrada em períodos curtos e exigindo dedicação integral, permite o foco, mas representa um desafio de logística e superação pessoal. Para os alunos que viajam longas horas (16 a 18 horas) de municípios distantes, a permanência nos polos gera altos custos. Neste contexto, a bolsa ofertada pelo PARFOR-Equidade é um suporte financeiro vital, essencial para a manutenção e o sucesso de sua jornada, auxiliando no custeio de moradia e alimentação.
É importante ressaltar que a jornada também gerou reflexões sobre a infraestrutura: a necessidade de melhorias na acessibilidade arquitetônica (como piso tátil e banheiros adaptados) e de suporte profissional específico (como a presença de um Núcleo de Acessibilidade), são pontos cruciais para garantir uma vivência plenamente inclusiva, em sintonia com a missão do curso.

Impacto Imediato e o Legado da Multiplicação
O impacto do curso é imediato e profundo: muitos alunos já estão aplicando as novas metodologias e mudando suas práticas em sala de aula, além de utilizarem o conhecimento para o empoderamento pessoal e familiar.
O futuro profissional dos egressos é claro: atuar nas áreas mais carentes de seus municípios e se tornarem multiplicadores de conhecimento. O objetivo é levar a excelência da UFPA para outros professores e pais, promovendo uma verdadeira transformação da prática pedagógica local, desde a revisão de currículos até a formalização de escolas como Educação do Campo, agregando valor inestimável ao currículo do professor e à qualidade do ensino amazônico.

